domingo, 1 de março de 2015


SER 

Até que ponto somos nós mesmos? Até que ponto nos aceitamos e aceitamos os outros? Até que ponto assumimos o que somos e não interessa que outros não aceitem?

No meio, do meu dia de ontem, me vi cercada de adolescentes, todos legais ao menos pareciam. Todos na idade do aprendizado da vida, treze anos. Todos querendo curtir sem responsabilidades, sem pensar, só curtir, e viver. E querendo SER.

Não sinto falta da minha adolescência, porque realmente, comecei a ser mais feliz, comigo mesma, depois dos 22 anos. Na minha adolescência , eu era uma menina negra, com cabelos crespos e com muitas duvidas na cabeça. Não foi a  melhor época da minha vida. Mas mesmo assim,fiz coisas incriveis, conheci pessoas, que me realaciono até hoje e que foram importantes para mim. Alguns me ensinaram comportamentos e valores que carrego até hoje comigo.

Eu era uma adolescente legal, mas não me via assim. Existam padrões de beleza, como cabelos alisados e longos, corpos mais cheios, nariz fino, que me atormentavam a todo momento.
Eu era magrinha e por consequência, não tinha elogios quanto ao meu corpo .
Eu tinha os cabelos crespos e todos me diziam para alisa-lo.
Eu tinha o nariz um pouco largo e todos me falavam de afina-lo.

Como vocês podem ver, passei uns bons anos querendo me enquadrar, no que eu não era.
Quando saí da minha cidade natal, Manaus e vim morar no Rio , minha mente, finalmente mudou.
Pela primeira vez, me vi bonita, notei que meu corpo era lindo e que meu cabelo também era.
Mas mesmo assim, ainda tentava ser o que não era. E isso não é legal.

Hoje percebo, que joguei fora tanto tempo em tantas besteiras, mas que cheguei onde eu queria tanto estar. Hoje assumo meu cabelo afro, me acho bonita e as vezes até linda. Amo meu corpo, minha cor, minhas ideias e a pessoa que sou. Isso é legal.

Quando vejo meninas novas, negras e lindas, tentando ter o cabelo, o comportamento e a maneira de ser de outras pessoas, me dá vontade de para-las e conversar e ajuda-la a entender que ela é unica, que a sua beleza existe , que ela tem qualidades que são só dela.

Junto a isso tudo me vem uma pergunta, porque as vezes, temos tanto medo de sermos nós mesmos?
Até depois de adulta, ainda vivo situações ou presencio pessoas fingindo pra mim, algo que não é a realidade. Acho que isso de sermos nós mesmos, dá um trabalho, nos faz peder amigos, e muitas vezes nos isola do mundo.
Porém se pararmos pra pensar, nos libera de muitas coisas. Uma delas, é o compromisso de ser igual aos outros e de querer fazer parte sempre da mesma coisa. 

Ainda tenho muita caminhada pela frente e sei que vou trpeçar, cair e levantar. Mas talvez em alguns desses tropeços, encontrarei alguém que me ajude a levantar, se eu não fizer sozinha.

E nessa hora, eu quero ser eu mesma, levantando sozinha ou sendo ajudada.

E você já consegue ser você mesma ou ainda está tentando ser outro? Conta pra mim.


Namastê.

Simone Monteiro
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